domingo, 4 de março de 2012

As Amendoeiras em Flor do Algarve


 
  
Hoje venho partilhar convosco este momento lindo e também o filme que fiz para este tema cujo link está no fim deste texto.
Neste mês de Fevereiro, pelo meu caminho em Lagos, encontrei, entre outras, uma amendoeira jovem e carregadíssima de flores. Fiquei contente porque isso é prenúncio de muitas amêndoas este ano, pois cada flor será uma amêndoa, se não for arrancada à árvore. Assim deixei todas as flores na árvore e fixei o momento com a máquina fotográfica. Na minha adolescência, aprendi que, em Portugal, só temos amendoeiras no Algarve e no vale do rio Douro e, apesar de se tratar de um facto, achei isso lindo: parecia-me um abraço entre o sul e o norte.
Mais uma vez, me lembrei da Lenda das Amendoeiras em Flor. Conta a lenda assim:

Há muitos séculos, entre os anos 716 e 1248, os árabes ocuparam todo este território que anteriormente tinha sido ocupado pelos romanos e a seguir pelos visigodos. Os árabes tinham, neste território, o mesmo sistema administrativo que tinham nas suas terras, isto é, cidades-Estado como os territórios que depois se denominaram Itália, Grécia, … Era comum naquela época. Os árabes denominaram esta parte do território Al-Gharb e em Chelb, futura Silves, reinava o famoso e jovem Ibn Almundim que nunca tinha conhecido uma derrota, pois eles andavam sempre em guerra: ou uns contra os outros ou contra os infiéis.
Certo dia, entre os prisioneiros que os oficiais-militares de Ibn Almundim trouxeram de uma grande batalha,1 este viu uma linda jovem, princesa, de olhos azuis e porte altivo. Chamava-se GILDA e era conhecida como a Bela Princesa do Norte (mais precisamente do Leste). Impressionado com tamanha beleza, o rei mouro tirou-a das concubinas para o servir e, a pouco e pouco, foi-lhe conquistando a confiança. Certo dia, confessou-lhe o seu amor e pediu-lhe para ser sua esposa, depois de adoptar a religião muçulmana.
Durante algum tempo foram muito felizes e o palácio estava sempre em festa, mas a princesa Gilda ia ficando cada vez mais triste e mais doente; uma tristeza profunda que a fazia recusar a comida e passava os dias sozinha nos seus aposentos sem querer ver ninguém …
Ibn Almundim mandou chamar os melhores médicos do seu reino e de reinos mais distantes, mas nenhum conseguiu curar a sua amada e ele já estava desesperado.
O acontecido espalhou-se por todo o palácio e chegou ao conhecimento dos prisioneiros que vieram com Gilda. Então um cativo já idoso, ainda familiar/serviçal de Gilda, pediu ao rei para ser recebido e revelou-lhe que a princesa sofria de nostalgia da neve abundante que havia no seu país distante. O rei de imediato chamou os seus conselheiros que lhe sugeriram que mandasse plantar amendoeiras por todo o reino. Muitas amendoeiras e, quando estas florissem e as suas pétalas caíssem ao chão, dariam à princesa a ilusão da neve da sua terra.
O rei assim fez e no mês de Fevereiro do ano seguinte, quando as amendoeiras já estavam todas floridas e muitas pétalas pelo chão, ele convidou a princesa Gilda ao terraço mais alto do castelo e disse-lhe:
  • Gilda, vem comigo à varanda da torre mais alta do castelo e contemplarás um espectáculo encantador!
  • Vê – disse-lhe o rei sorrindo – como Alá é amável contigo. Os teus desejos estão cumpridos.
  • Ah! - exclamou ela.
Lágrimas de alegria surgiram nos seus lindos olhos azuis.
Gilda ficou tão contente que dentro em pouco estava completamente curada. A tristeza que a matava lentamente tinha desaparecido e Gilda sentiu que as suas forças regressavam ao presenciar aquela visão indescritível do branco alvo que se estendia a perder de vista. Sentia-se alegre e satisfeita junto do rei que adorava. E todos os anos, no início da primavera, ela via do alto da torre, vezes sem conta, as amendoeiras cobertas de lindas flores brancas que lhe lembravam os campos cobertos de neve da sua terra.
O rei mouro e a princesa Gilda viveram longos anos muito felizes e esperando ansiosos a chegada do mês de Fevereiro … porque o mês de Fevereiro trazia sempre, ano após ano, o maravilhoso espectáculo das amendoeiras em flor!

1 Um estudante, natural da Ucrânia, conversando comigo sobre esta lenda, contou-me que os pais lhe disseram que a jovem princesa, Gilda, devia ser da Ucrânia porque naquela época, muita gente daquelas terras foi raptada para os haréns árabes do ocidente e Gilda é um nome que lá existe.
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Assim se explica também a abundância de amendoeiras que tem existido no Algarve e daí também a doçaria algarvia utilizar amêndoas em abundância em muitas e variadas receitas.

Quem quiser apreciar esta lenda em banda desenhada, só tem de clicar neste portal:


http://www.youtube.com/watch?v=NtaRei5qj9M&feature=youtu.be

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Os Bolos D. Rodrigo



Os Bolos D. Rodrigo
O Algarve tem uma muito rica e variada doçaria e eu, não sei porquê, tenho-me lembrado muito dela nesta Quaresma, principalmente dos bolos D. Rodrigo. Quem foi Dom Rodrigo? Este, Dom Rodrigo António de Noronha e Menezes, foi 40.o Governador do Algarve, na segunda metade do século XVIII. Os Governadores do Algarve tinham moradia oficial no Palácio dos Governadores de Lagos e no Castelo habitava o Alcaide da cidade, ambos dentro das muralhas de Lagos. Lagos foi elevada a capital do Algarve de1573 a 1762. Dom Rodrigo foi Governador do Algarve de um de Abril de 1754 até ao ano de 1762. Quando aconteceu o terramoto que arrasou Lagos no dia 01 de Novembro de 1755 e o maremoto que a cobriu completamente com a água do mar, Lagos ficou inabitável. Dom Rodrigo e a sua família estavam fora de Lagos e assim se salvaram. Quando chegaram, Dom Rodrigo enviou a sua família para Lisboa e ficaram ele e as suas tropas a limpar a cidade. As necessidades eram imensas e não havia dinheiro do reino, pois também Lisboa tinha ficado completamente arrasada. Com tantos pedidos e sem possibilidades de satisfazê-los, Dom Rodrigo entrega o seu cargo de Governador do Algarve ao rei Dom José I, em 1762. Este aceitou-o e extinguiu-o, passando a haver também no Algarve o cargo de Governador de Armas do Algarve que já havia para as outras províncias de Portugal. 
Os bolos D. Rodrigo que estão na origem desta confraria têm o seu surgimento no dia 01 de Abril de 1754, data da recepção oferecida pelo Alcaide de Lagos ao Governador do Algarve, Capitão-General D. Rodrigo António de Noronha e Menezes que tomava posse. Além da recepção festiva na sua chegada e da sua família a Lagos também houve um almoço-recepção no castelo do alcaide com a presença de todas as edilidades mais importantes de Lagos e arredores. As freiras do Convento do Carmo de Lagos, as Irmãs Carmelitas, também quiseram presentear o Governador do Algarve que tomava posse e, com a permissão do alcaide trouxeram para a mesa duas grandes e ovais travessas de prata de BOLOS D. RODRIGO e a Madre Superiora Carmelita, também convidada, explicou a D. Rodrigo estes bolos que lhe ofereciam, criados para esta ocasião e que foram denominados BOLOS D. RODRIGO. A doceira-mor e a cozinheira-mor do castelo ficaram descontentes, pois estes bolos foram muito apreciados por todos e louvados em detrimento de todos os outros apresentados pela doceira-mor.
Assim os BOLOS D. RODRIGO são bolos conventuais, criados no Convento do Carmo sediado em LAGOS, Portugal pelas Irmãs Carmelitas deste convento para o dia 01 de Abril de 1754 e percorreram os tempos até aos nossos dias muito apreciados por todos. Por isso esta é uma data a comemorar pela confraria.
Actualmente, século XXI, este bolo está a ganhar projecção nacional e internacional. Então chegou a hora de identificá-lo de forma correcta.
Se utilizarmos a sua designação completa como se faz com os bolos de outras regiões, por exemplo: o pastel de Belém ninguém o designa por Beléns e muitos outros exemplos se pode encontrar por este país fora.
Ora os bolos D. Rodrigo podem ser designados assim que é a forma mais apropriada e, na pastelaria, pedimos assim:
1 bolo D. Rodrigo
2 bolos Dom Rodrigo
3 bolos D. Rodrigo
........
mas é nosso costume encurtar tudo o que se diz de modo que a mensagem que se quer passar, chegue mais depressa ao receptor. Neste caso podemos omitir bolo(s) porque este significante é claro para a empregada da pastelaria e assim podemos dizer em português corrente
1 Dom Rodrigo
2 D. Rodrigo
3 D. Rodrigo
.......
porque o plural que advém da quantidade desejada só se pode aplicar ao significante “bolo” e não ao nome próprio que o identifica – D. Rodrigo,

É característica da doçaria algarvia ser confeccionada com amêndoa, calda de açúcar, fios de ovos, muitas gemas de ovos, …

De entre os bolos da nossa doçaria, gostaria de destacar:
  • as castanhas de amêndoa;
  • os florados de Lagoa;
  • os almendrados;
  • os figos de amêndoa e chocolate;
  • o tutano celeste;
  • o morgado de figo;
  • a amendoada;
  • os queijinhos do céu;
  • o morgado de Silves;
  • o bolo mimoso;
  • os bolos D. Rodrigo, naturalmente.







Naturalmente, porquê? Porque estes bolos, feitos com fios de ovos, amêndoas raladas, calda de açúcar, gemas e canela são envolvidos em papel vegetal e colocados em quadrados de folha de estanho, vulgarmente conhecida por “pratas”, que lhes dão uma forma final singular e única e a terra de origem destes bolos maravilhosos é  LAGOS.
Então com muito gosto partilho convosco estas fotos e espero a vossa vinda às nossas pastelarias onde não tenho qualquer participação financeira, mas tenho a certeza que se vão deliciar.
Sobre os morgados, antigamente as cores que os morgados orgulhosamente exibiam eram tal e qual telas pintadas a aguarela, suaves e súbtis, simplesmente delineadas, onde os tons primários do doce fino (perolado) prevaleciam na maior parte da superficie dos morgados. Os tons pastel continuam a ser os mais apelativos a degustar neste manjar dos deuses de sabor bem personalizado, quando confeccionado com amêndoas algarvias.

Estes morgados de amêndoa são recheados com fios de ovos, ovos moles e gila.
BIBLIOGRAFIA

(PAULA, Rui M.; Lagos – evolução urbana e património; edição de Câmara Municipal de Lagos; Lagos, Outubro de 1992, p.364)


http://goo.gl/RSVXh5    site da Confraria dos Bolos D. Rodrigo, Lagos, Portugal


Os meus filmes

1.º – As Amendoeiras em Flor e o Corridinho Algarvio.wmv          http://www.youtube.com/watch?v=NtaRei5qj9M&feature=youtu.be
2.º – O Cemitério de Lagos
3.º – Lagos e a sua Costa Dourada
4.º – Natal de 2012
5.º – Tempo de Poesia

Os meus blogues

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http://www.passo-a-rezar.net/       meditações cristãs
http://www.descubriter.com/pt/             Rota Europeia dos Descobrimentos
http://www.psd.pt/ Homepage - “Povo Livre” - Arquivo - PDF
http://www.radiosim.pt/        18,30h – terço todos os dias
(livros, música, postais, … cristãos)
http://www.livestream.com/stantonius         16h20 – terço;  17h00 – missa  (hora de Lisboa)        http://www.santo-antonio.webnode.pt/

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A ponte romana de Lagos



Na época romana também foi construída uma ponte sobre a ribeira de Bensafrim - rio de Lagos no caminho aberto para o norte de Portugal, nessa época. Se dermos atenção à ponte, atualmente denominada ponte D. Maria, à saída de Lagos rumo a Portimão, verificamos que os seus pilares são de arquitectura românica. Sabemos também que, em 1618, esta ponte sofreu obras de conservação e que, mais tarde, ficou arruinada pelo terramoto de 1755. De 1805 a 1807, é reconstruída e ganha o nome de D. Maria. Três dos seus arcos foram destruídos pelas cheias de Novembro de 1805 e reconstruídos.

A ponte é reconstruída entre 1805 e 1807, enquanto D. Maria I era viva, mas era regente de Portugal, D. João. A ponte chamada romana, passou a denominar-se ponte D. Maria, em homenagem à rainha D. Maria I.

Em 1958-60, é construído sobre ela o atual tabuleiro que assenta sobre os doze arcos de meio ponto de vãos desiguais e onze talhamares de prisma triangular. Esta ponte sempre foi muito importante como elemento de ligação entre os núcleos populacionais das duas margens do rio e da baía com o núcleo principal da população.❐